Ecologia da Alma

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Tanto quanto a ilusão do pensamento sobre determinado tema, é a ilusão do pensamento sobre solução e problema.
Incluso, ou sem qualquer pensamento, só há a “sabedoria” indecifrável do momento.

O que é que tenha faltado, o que é que esteve ausente ou separado?
De tudo, resta apenas “isso” (cada um de nós em solitude), sem julgamentos, comparações, crenças ou expectativas, apenas o que sempre esteve aqui durante nossa “re união” e ainda permanece indescritível, intocável e indivisível.
Só nos resta “isso”, esse agora que experiencia a vida como ela se apresenta, sem distinguir a percepção do que é percebido, sem um pensamento pré concebido, o que as palavras não conseguem traduzir como “sabedoria do momento vivido”.

Sobre a “sabedoria do momento”… tudo está incluso, não tem distância que separe nem tempo que perdure. Não há ideia sobre isso ou aquilo, tampouco feito, feitor ou feitio, apenas a completude do que se apresenta como uma experiência que por si só sabe de si mesma. Qualquer “coisa” além disso, é só um pensamento dizendo que foi assim ou que foi assado, mas é melhor deixar isso de lado e mesmo sem termos o que agradecer (por que agradecer algo como se estivéssemos separados?), “relativamente” agradeço, pelo momento com que “isso” se faz, o que a percepção direta nos traz…

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“Quando duas ou mais frentes despontam, o caminho natural não é a separação, nem tampouco a dissolução representada por uma “peculiaridade pessoal.” Mas o reconhecimento de que o “movimento” é bem maior que a nossa insignificante existência. O caminho natural é o fortalecimento de nossas ações conjuntas, essa é a resposta que perseguimos durante tanto tempo para as nossas infindáveis perguntas. São duas ou mais flechas disparadas na mesma direção, contando com o “fator vento”, que acerte bem no alvo, no centro do coração!”

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Cujo centro e a circunferência estão em toda parte, a esfera infinita provém e advém da verdadeira “arte”.
Concentra o que está dentro e exclui o que está fora, arquétipo envolto das sutilezas do agora.
Põe atenção no eixo imaginário, o movimento paralelo não se faz mais ordinário.
Esse é o círculo sagrado da vida, tudo aquilo que emana, reverbera na mesma medida.
E traz a consciência de que não estamos sós, caminhamos de mãos dadas, criando laços e desatando os nós…

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Ofereça um tabaco, ou pingos d’água, mesmo que sejam salgadas gotas de suor! Peça licença humildemente e se preciso for retira o chapéu da cabeça e leva ao peito. Espera a resposta que vem de dentro da sua natureza, da energia telúrica que cura. Planeja para a continuidade, na precisão do intervir, como se fosse um afago ou um chamego. A acaricie dançando com suas pegadas que deixam marcas, que ela gentilmente retribui com um balanço…

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Se há identificação, mesmo que desnecessária, preferimos nos “identificar” com aquilo que nos une do que com aquilo que nos separa.
Perceba a diferença entre verdade pessoal e o apego a um conceito momentâneo.
Defenda sua opinião formada sobre isso ou aquilo e verás que num piscar de olhos tudo muda. Podemos até querer sustentar nossa velha opinião formada sobre tudo, mas isso só torna as coisas ainda mais “desnecessárias”.
Não é formar uma opinião sobre “isso ou aquilo”, mas se relacionar com isso ou com aquilo de uma forma diferente, assim, com um outro olhar, possibilidades e atitudes.
É como achar que o recipiente é mais importante que o conteúdo ou que o conteúdo é mais importante que o recipiente. Veja a diferença; recipiente sem conteúdo, é vazio, aí reside a sabedoria. Conteúdo sem recipiente, é também sabedoria, aí reside a essência.
E “isso ou aquilo,” na verdade absoluta, são uma coisa só, e a ideia de separação é só um conceito esperando “um qualquer” se identificar.
Mas a “referência da referência” nos leva a um outro lugar… Esse que não se identifica, que não se sente obrigado e que não obriga, apenas religa com aquilo que te faz sentir o ser do bem estar!

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Sete dias, sete corpos, sete chacras, sete vidas,
as sete maravilhas naturais.
Sete lagoas, sete mares, sete flechas, sete gerações,
os sete nobres metais.
Sete cores, sete ventos, sete direções, sete raios,
as sete notas musicais.
Setenta vezes sete, o Sete Ecos ademais…

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Em sistemas de expansão de tecnologias ecológicas e sociais (vivências) que integrem o observador e o observado, que não ao pensamento dominante ou de dominado, sejam um só, o mesmo, em situações de um, ser o lugar do outro, esse mesmo olhar sem distinção e ainda sim a intervenção, seja um ato de amar.
Reside então a consciência, o respeito e a complacência, para e pelo o sagrado lugar…

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Não é quem iniciou o movimento, nem tão pouco quem vai terminar, mas o momento é de quem no agora se põe a continuar.
Assim é que honramos aqueles que nos antecederam e aqueles que nos sucederão. Assim é que as gerações futuras da mesma maneira nos reconhecerão.
Os sonhos dos avós continuam vivos em mim, essa é magia da vida, sabemos que um dia começou e que nunca vai ter um fim…

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Quando não mais pensar que não está mais pensando.
Quando as palavras saírem sem nenhuma intenção.
Quando o fazer já for o próprio caminho, que se percorre sem nenhuma condição.

Esquece tudo, pois já não há mais nenhum lugar pra chegar além daqui,
Pois já não há nenhum propósito mais importante que sorrir.

Mesmo que imagine qualquer vã filosofia, mesmo que perdure qualquer ideologia morta.
O que o “eu sou” e o que fazes, pouco importa.
É no silêncio vazio que tudo comporta, mesmo sem saída se abre uma porta.

Entra, e também não permaneça, antes que estático pereça, dê mais um passo “naquela” direção. Quando uma luz no fim do túnel começar a reluzir, não se espante, é só mais uma porta a se abrir para o vasto caminho em expansão…

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A consciência do que é de fato necessário, antes despercebida pela insensatez do que se faz ordinário.
Põe atenção naquilo que nos mantém e verás que o leite da mulher é o próprio sangue que circula.
Sente o alento, quando ela mata a nossa fome também traz a própria cura.
A mulher que é medicina, derrama seu sangue sobre a terra e fecunda, doa os “alimentos” com a certeza que nos nutra.
Abençoados pelas lágrimas como chuva, a água, o milho, a carne e as frutas.

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É em um abraço que tudo se resume…
É no reconhecimento mútuo que tudo se resolve
Cessam as expectativas daquilo que se presume,
Compartilhando é que tudo se absorve.
Depois que se chega até o cume
É descendo o mesmo caminho que se dissolve…

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Somos produto, da mais “alta” qualidade, poeira de estrelas num multi verso que abriga universos incontáveis.
Somos raridade, gentilmente acolhidos nessa estada temporária.
Somos um só nesse todo, proporcionalmente estimados.
A saber que há movimento mesmo estando parado.
A passagem é de ida, sem volta, depois que abrimos a porta, “esse” é o momento considerado…

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Nasce uma flor, tem espaço para tudo, incluso à polinização para uma boa nova relação. É o soro da vida, contém o doce e o sal, lhe convida a olhar para frente, a se orgulhar de seu passado, um presente, a recordar seu eu ancestral, esse que não separa nem julga, que faz do instinto a própria intuição. É como num piscar de olhos, o que passa pela cabeça também passa pelo coração!

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Expansivo fica no focalizar. Aguça a visão precisa do observar
É além do alcance, esse lance, no vão da senda o “bem estar”.

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É o interagente que se relaciona, mediante as condições ajustado, no equilíbrio dinâmico da vida, tudo está e se mantém relacionado.
Talvez porque flua, porque é cíclico e também espiralado, quando emerge a energia, o magnetismo movimenta todos os lados.
Não há separação, nem tão pouco algo desprezado, quando se divide o todo, à menor partícula à ele está ligado.
É essa a magia da vida, a química perfeita na física do enlace, se nega o que está oculto também não se enxerga o que está frente a face.
Apenas há intervenção, como ondas de energia a circular, é que toda ação gera movimento e retorna para o mesmo lugar.

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A estabilidade me soa imprevisível, efeito oposto do que é expectável. Que tudo aconteça como nada… sem saber do que antes pretendia.
Sente a chance única do momento, que não repita o que no fundo já sabia. Quando as coisas não saem como imaginamos, é aí que reside a poesia.
Se surpreenda com cada instante, cedo ou tarde, noite ou dia, é dentro desse sistema aberto, que vive a sabedoria.

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Nesse universo observável a poeira cósmica e a fumaça do fogo sagrado são um só, assim como a vida é rara nas infinitas possibilidades até onde se consegue alcançar, o parâmetro de comparação se perde de tanto tanto tentar. Não é somente o que os olhos enxergam, mas até onde se pode imaginar. Da menor partícula da matéria até a imensidão de uma estrela, de uma galáxia, o mesmo sopro de vida contido está.

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Parte do cenário, em um único momento de vários nos olhos de quem vê a enxerga, no que consegue captar a entrega. Acontece que recobrir-se da memória antiga se especifica, sabe onde quer chegar. Em seu olhar diferente de repente sente e simplesmente permanece porquê já é e está…

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Ser a interface que mescla a variabilidade de um cenário a outro. Esse meio inacabado que nunca ousa dizer que é ou está formado, nem que é um nem outro, mas duas metades que contemplam as diversas partes do todo.
Sei que assim as formas perdem sentido, e os conceitos se encontram perdidos, sendo as estações um veículo, nos levando a lugares nunca antes vistos.
Quando por um instante o mais relevante perceber a metamorfose inebriante, há de se localizar no centro, no ponto exato nem de fora nem de dentro apenas o ressurgir no vago espaço de tempo…

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Características inerentes ao comportamento, seu relógio não é o que define o tempo. Não confunda evolução com desenvolvimento, nem natureza selvagem com a natureza morta da artificial paisagem.
O princípio da “reação em cadeia”, desencadeia, uma resposta exata, quão inata, muitas vezes mata.
Mecanismos vitais de auto regulação, que pelo equilíbrio a intenção, de manter estável essa linda oscilação. Dinâmica precisa, incisiva à sua intervenção.
Aqui se faz, aqui se paga, a natureza enquanto uma entidade que te traga, a separação do “já vai tarde partir”, e que regurgite o que for difícil de engolir.

Na senda natural, organismos que competem entre si, trabalhando juntos para o mesmo ressurgir.
No asfalto e no concreto, indivíduos que competem entre si, trabalhando separados para o mesmo destruir.

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Não se trata de vocação
muito menos de talento
a adaptação ao meio
esforço de muito tempo

Nada, rasteja
anda e cria asas
todo o caminho percorrido
no final nos leva pra “casa”

É essa a sabedoria do momento
cada um com sua natureza
se não vai contra o movimento
se vive na plena proeza…

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Assim como a natureza da água é fluir, a natureza da natureza é “selecionar”.
E nessa “seleção natural” não há desprezo em abrir mão disso ou daquilo. Não há descarte, muito menos “um jogar fora”.

Como jogar fora, se “o fora” continua aqui dentro.
Quanto esforço, quanta energia desperdiçada todo dia, a todo momento.
Na tentativa ao léu de mudar o que está feito, de confrontar o que é natural. E não é nem o que está acontecendo, mas sim o que já sucedeu. É o mesmo que observar o “cenário”, mas não perceber o que absorveu.

As conexões já nem são tão ocultas assim, escancaradas ou não, evidenciam que não há, nem nunca haverá lixo algum. Porquê o que você descarta, a natureza indiferente acolhe, acata.

“Coordene seus “lixos” a consagrar o que te merece, transforma como a natureza tudo em prece que nada perece”!

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Dos fenômenos sociais, culturais e naturais que compõem a paisagem e o espaço geográfico, a busca e a re formulação de hipóteses e explicações das relações, permanências e transformações que aí se encontram em interação.

Espaços modificados, adaptações introduzidas. Procedimentos de observação, problematização, registro, descrição e pesquisa.

Não é mais dual, é o observador e o observado, o que é observável também te observando.
É você e o espaço, o espaço e você. É ser o próprio espaço, e o espaço o próprio ser.

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Não há necessidade de uma nova compreensão da vida, apenas vida.
Não há porque temer o novo, apenas o novo.
Põe atenção no movimento da continuidade e verás que o novo é velho e que o velho é novo de novo.
Se reconhece no que observas a ti mesmo, em ti mesmo os observáveis se reconhecerão.
Não é uma questão de imagem, nem de reflexos repentinos. Mirando no olho do furação, é que se vê o momento único da criação.
No céu, nuvens de pensamentos se desfazem na ação.
Agora é a brisa que desliza lisa, para além de uma nova compreensão, absorto no vazio de novo contemplação.

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A horta, natural ciclo, espiral pro infinito… 

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A mãe Terra nunca erra
A resposta é quem te mostra
Se a semente se enterra
Renascer é que ela gosta…

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Que tal buscarmos formas que possam causar impactos positivos no ambiente e nas pessoas?
Que tal absorvermos dos ciclos naturais o entendimento do tempo e dos processos dinâmicos para a manutenção da linda teia da vida?
Que tal nos apercebermos novamente da força que a lua exerce sobre os fluidos e reaprendermos sobre a influência que as constelações e os astros exercem sobre nós?
Que tal aguçarmos a “observação atenta” da natureza e transferirmos essa magia para a nossa vida cotidiana, adquirindo assim o “senso de lugar”, o entendimento que, transformamos o ambiente e somos por ele transformados?

Ser a própria paisagem, o instante unificado sem separação e na leitura do que o olhar capta, a consciência de que todos os sistemas vivos são mais do que apenas a soma de suas partes e que a sua complexidade não os torna complicados, mas abre a visão sobre o resultado de suas diversas conexões. Os princípios de auto organização da vida e suas estratégias de sobrevivência nos incita a fazer parte dessa linda rede de cooperação sofisticada e intrincada de conexões e fluxos energéticos.

A vida é sistêmica e não sistemática, somos apenas parte integrante de um todo maior. É de “graça”, e está acontecendo agora…

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O conceito de natureza deve ser compreendido tanto como o de primeira natureza (os elementos biofísicos de uma paisagem), o de segunda natureza (a natureza transformada pelo trabalho humano), como o de terceira natureza (a própria natureza humana). Não necessariamente nessa mesma ordem e independente da perspectiva, a maneira mais comum de se observar essas “tais naturezas” parte de alguma noção ou conceito chave e versa sobre algum fenômeno social, cultural ou natural que por vezes é descrito e explicado de forma descontextualizada do “lugar” ou do “espaço” no qual se encontra inserido.

Dentro de uma ampla visão nada literal a observação atenta e não fragmentada apresenta diferentes aspectos sobre um mesmo fenômeno, de modo que possamos construir novas compreensões mais complexas a respeito do meio ambiente e de si próprio.
Dessa forma, desenvolvemos a capacidade de identificar e refletir sobre diversos aspectos comportamentais, compreendendo a relação natureza-sociedade-indivíduo.
Para tanto, o estudo do comportamento humano, da sociedade e da natureza deve ser realizado de forma conjunta. Devemos procurar entender que – sociedade, indivíduo e natureza – constituem a base material e cultural sobre a qual o espaço e os valores são construídos e que esses mesmos valores por sua vez, também inferem na construção da paisagem.

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Em um ambiente altamente mutável, no qual o sucesso e a continuidade da vida e das relações estão intimamente associados à nossa capacidade de nos adequarmos às mudanças, há sim a consciência de que transformamos o ambiente e somos por ele transformados e que a relação entre o interno e o externo está ligada concomitantemente por laços indissolúveis.
Observando a dualidade do que está fora e do que está dentro sem distinção, esse mesmo pensamento dicotômico passa a ser uno. Nessa lógica inata, há o reconhecimento de que nada começa de dentro para fora nem de fora para dentro. Esse paradoxo cíclico de causa e efeito, ou seja, algo de cuja existência depende outra, traz o discernimento e a identificação apenas do que permanece e do que é impermanente, permitindo-nos ampliar nossos horizontes na direção do entendimento de quê, não é necessário buscar nenhum método, nenhuma fórmula, receita ou qualquer explicação de como se alcançar ou atingir algo. Simplesmente esse “despertar” nos sintoniza ao equilíbrio e evolução necessários para nos tornar a própria revolução constante, fluindo naturalmente, capazes de transformar para refletir e de refletir para transformar.

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Qual é a verdadeira diferença entre uma árvore e um rio? Perguntou o aluno.
O ponto de vista. Disse o mestre.
Mas como!? Insistiu o aluno.
Na árvore, a seiva é o próprio rio… e o rio, da nascente à foz é a própria árvore. Disse o mestre.
Agora me responda qual é a verdadeira diferença entre o mestre e o aluno? Perguntou o mestre.
O ponto de vista. Disse o aluno.
Mas como? Insistiu o mestre.
O aluno ensina quando tem que aprender… e o mestre aprende quando tem que ensinar.

A árvore e o rio, o aluno e o mestre, são uma coisa só. Na verdade, são muito mais que a soma de suas partes… São também o cenário, a roupa no varal, o canto de um passarinho que pousou na samaúma… No final e no começo também são o meio, o momento em que se manifesta sem separação. Se cada é o todo, e o todo está em cada, por que segregar e não entender que não é preciso entender?

Ignorando ou não um comportamento natural, a natureza também nos ignora. Está aqui indiferente às coisas e a nós… Se preciso for, o rio leva a samaúma com a mesma intensidade em que leva um grão de areia.

O céu escancarado, dilacerado em dois pela luz que no instante se faz. E a chuva que chega antes tarde do que nunca para a alegria daqueles que plantam cai. Num gesto de gratidão fita o céu com os olhos rasos d’água. Lágrimas e chuva agora são um só e molham a terra trazendo vontade para aquilo que nos mantém…

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Intuir não se explica, apenas se sente…
Dada a “vontade oculta”, essa que por vezes tem mais poder do que aquela que temos como algo definido, na magia da vida, nos surpreendemos.
Na adaptabilidade do dia a dia, às condições mais inóspitas e hostis, é daí que a vida prossegue no entendimento do ressurgir.
Na seleção natural prossegue o que persiste e o que se integra, mantido o que na íntegra para a prática se entrega.

Praticar é preciso, é preciso praticar…

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Causa e efeito tem por direito o dom de se revelar
O efeito se torna causa quando de novo quiser plantar
Se o que se planta se colhe, cuidado com o cultivar
Essa é a sabedoria da vida, te devolve o que a ela dá…

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Alimenta o espírito a mente e o corpo
Nessa linda lida, o comer e o orar
A colheita e a arte nasceram juntas como num sopro
Ligando o céu e a terra nesse comemorar…

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Em começar tudo de novo, tudo de novo mais uma vez…

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Traz a natureza pra perto da sua vida
Traz a vida pra perto da sua natureza
Mas, natureza é vida e vida é a própria natureza de preferência selvagem
Sem medo nem dó, sem drama nem piedade…

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Por vezes a sensação de que nunca saímos do lugar e que aquilo que buscamos é de fato o que nos encontra.
Por vezes a sensação de que sem sair “desse lugar”, não há lugar algum para chegar e que a viagem e o viajante são um só.
Por vezes a sensação de que não abrimos mão de nossas bagagens, mas que elas nunca alteram o nosso destino.
Por vezes a sensação de que o amor é passageiro, mas que na verdade somos passageiros do amor.
Por vezes a sensação de que a chegada é o mesmo ponto de partida, e que o encontro pode ser também despedida.

Somos apenas caminhantes da boa estrada vermelha da vida!

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Encontrar na arquitetura da terra a sofisticação do concreto armado.
Na germinação de um grão, a consagração da carne.
Na beberagem das plantas, uma cerveja gelada com os amigos.
Na meditação da alma, o grito dos desesperados.
Na conduta espiritual, a alegria de um carnaval.

Por tantas vezes a vara verde pende para um dos lados que acaba por atingir o centro.
O centro é vasto e aceita o “todo tudo”…
O amor no centro é tão imenso e incondicional que acolhe até as condições. Te deixa assim sem saber o que fazer. (isso é muito bom)

Afinal, qual é a diferença e o que de fato é necessário se tudo é bem vindo quando lhe convém?
O que permanece intacta é a consciência do quão vasto és para acolher aquilo que vai e vem!

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Não há de maneira demasiada o aparecimento de gurus e xamãs. Há a evidência latente do empobrecimento espiritual que nos condiciona a confiar e depositar nossas vidas em pessoas inabilitadas e oportunistas.
Não há uso inapropriado nem banalização do sagrado. Há a inversão de valores por parte daqueles que creditam a atitude e o “trabalho” daqueles que se intitulam.

Porque quando nos propomos a seguir na “senda”, não entramos pela porta da tendência, e percebemos que fazemos parte de um convívio que se sustenta ao lado de contemporâneos e que o sentido família continua sendo o alicerce que serve como termômetro para vivenciarmos a continuidade da vida…

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“Se eu pudesse escolher”… fica latejando na cabeça como uma desculpa pra justificar aquilo que ainda não fomos capazes de decidir.

Há a consciência oculta e por vezes escancarada de que sempre podemos escolher. Estamos decidindo tudo a cada momento e não há acaso nem crença que mude essa realidade. Dentro do livre arbítrio tudo se encontra como deveria ser e simples assim continua sendo…

Toda a energia desprendida faz-se desnecessária na tentativa infrutífera de mudar sua realidade. Tudo continua perfeito sendo como é, e a esperança que alimenta seus demônios o faz acreditar que o imutável vai ser pelo menos um “pouquinho” diferente, e que por capricho do destino ou por um milagre as coisas vão acontecer como nós gostaríamos que tivessem acontecido.

A vida acontecendo no agora não faz distinção entre sua dor e sua alegria, muito menos entre você e o seu drama, simplesmente se manifesta dentro da totalidade e completude, isso inclui a vida e a morte, a guerra e a paz, a sua luz e as suas sombras…

Momentaneamente a auto massagem no ego camufla e entorpece, traz a falsa sensação de conforto e segurança. Mas o que não tem base, não se sustenta… E desabar também continua sendo perfeito como é, nos traz momentaneamente o deleite de um salto em queda livre. Aproveite também o abismo, por que o cume da montanha também faz parte dele.

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Quantificar a luminosidade contida em uma estrela não retira dela o seu brilho.
Pelo contrário, aumenta ainda mais a apreciação e a consciência daquele que contempla.
Receber diretamente de um nativo seu consentimento para se tornar perpetuador de alguma tradição, não só aumenta a confiança em seu trabalho como também a percepção e o reconhecimento daqueles que caminharam antes de nós.
A vivência literalmente marca o corpo… Dizia o “maestro” com os dentes cerrados.
Se queres embrenhar por esse caminho, mira a referência, que na fonte há água limpa!
É como uma semente crioula que guarda toda a informação da árvore que vai nascer e que jamais esquece a sua origem.
Praticar esse caminho sem a origem, é o mesmo que plantar uma semente estéril. Não há continuidade que se sustente. Por isso rezamos pelas 7 gerações passadas e pelas 7 gerações futuras com a certeza de que as sementes bem “plantadas” são as que darão bons frutos!

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Se desvista dessa imagem que aos poucos foi construindo e que aos poucos também foram construindo de ti.
Não mais se identifique com a posição de importância ou de auto importância que ocupa ou que pretendes ocupar.
Não se limite à alguma formação, profissão ou função que exerces ou que possas vir a exercer.
Não se intitule nem permita que os outros o façam.
Não valorize o que fazes por uma medida de tempo, experiência ou patamar.
De maneira sutil e espontânea, dons se revelam, qualidades são aproveitadas e necessidades atendidas. Sem nenhum esforço a natureza se manifesta.
Com ou sem expectativas as coisas são como são, sem receitas, prontuários ou fórmulas.
Os conceitos construídos sobre você, algo ou alguém, limitam a sua capacidade de ver além do que os olhos conseguem enxergar, formatam seu pensamento dentro de um senso comum, esse senso gera as crenças e a identificação com a forma que por sua vez faz brotar uma sensação, que resulta em um sentimento.
Esse “ressentimento” reflete nada mais nada menos do que um estado que em si, encontra. E se encontra, ainda sim está separado de quem sente, é apenas uma escolha, e se o sentimento é fruto de um conceito, por que acreditar que o que se sente é real?
Investigando o caminho de uma referência, nos deparamos com a fonte original, essa fonte nos incita a perceber o fluxo natural e cíclico da vida. Inconstante para nossa impermanência.
Acredite ou não, as pessoas que mais ajudam os outros e a humanidade, você provavelmente nem as conhece, elas são amadoras por natureza e não fazem questão de ser referência de nada nem de ninguém, muito menos estão buscando ser algo para persuadir adeptos ou seguidores, elas naturalmente já são. Vivem no anonimato, zelando pelas coisas pequenas e as tornando grandes. Mirando as coisas complexas e as tornando simples. O código é aberto, o acesso é livre e o espírito sopra onde quer.
Se existe mesmo receita pra isso, essa é a que deveríamos seguir…

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Discretamente, desabrocham as flores…
tem que ser discreto também pra contemplar
mesmo sabendo do que espera
surpreender-se com a sabedoria do momento

As flores são o aviso prévio dos frutos
é quase a certeza do deleite
se desfruta o gosto do sabor
se néctar a beleza do vislumbre…

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Não há necessidade de desmistificar aquilo que nunca foi místico
oculta são as intenções de quem não percebe ou finge não perceber
que a natureza escancarada mostra se faz
revela a infinitude de ser

Não há um só porque nisso tudo
envolto de volta ao olhar
se pergunta, é a crença que diz
te impede de observar

Agora se prefere assim
apenas de se integrar
percebe o que manifesta
podendo aprimorar

Mas reconhece na vida
as referências sutis
sabes que nada detém
somente as coisas vis

Podendo até gratidão
entende que dar é motriz
de quem voa na imensidão
tem asas mas também é raiz…

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A arte do encontro é a própria vida acontecendo…Fluindo nos corações daqueles que se abrem pro merecimento…
A arte da vida é o próprio encontro acontecendo…Fluindo no merecimento daqueles que abrem seus corações…

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Aquilo que entendemos como realidade
muitas vezes parece turva imagem
não vemos as coisas como são
mas como subjetiva interpretação.

A natureza da realidade é a impermanência
vazia, indiferente às coisas ou à nós
se queres vivenciar a sabedoria
despoja o fardo do conhecimento.

Mergulhar nessa experiência do vazio
te retira dos pés o chão
quando por um segundo pensar que estais caindo
que esteja voando na imensidão…

 

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